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18 de Agosto de 2026 - 

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Requião Filho encerra Sabatina de Governadores da OAB Paraná

O candidato Requião Filho (PDT) foi o último a participar, nesta segunda-feira (17/8), da série de sabatinas com os candidatos ao Governo do Paraná realizada pela OAB Paraná, na Sala Cidadania e Democracia, com transmissão pelo YouTube e entrada gratuita. Como nas sabatinas anteriores, o presidente da OAB Paraná, Luiz Fernando Casagrande Pereira, reforçou o duplo objetivo da iniciativa: contribuir para eleições mais informadas e cobrar dos candidatos compromissos com as pautas da advocacia paranaense, consolidadas na Carta de Compromisso com a Advocacia, a Justiça e a Cidadania Paranaense, elaborada pelas comissões da entidade e entregue a todos os concorrentes ao Governo do Estado. Requião Filho apresentou-se como advogado, com pós-graduação em Direito Tributário pelo IBET, curitibano e paranaense, com trajetória política que passou pelo MDB e pelo PT antes de chegar ao PDT. Afirmou que o plano de governo tem como eixo central o cuidado com pessoas. “Nosso plano de governo prioriza pessoas. Quando falarmos de obras, essas obras têm que ter um propósito”, disse, criticando a fila de exames e transplantes no sistema público de saúde do Paraná. “É assustadora saber que uma pessoa com câncer entra numa fila de até seis meses para conseguir um exame de imagem, o que pode fazer a diferença entre a vida e a morte”, afirmou. Precatórios e advocacia dativa Sobre a fila de precatórios no Estado, Requião Filho defendeu o pagamento estrito por ordem cronológica, sem pisão entre acordos e fila regular. “Precatório é pago na ordem cronológica, havendo trânsito em julgado e possibilidade do Estado bancar esse caixa. Não há por que furar fila, não há por que beneficiar grupos”, afirmou, criticando ainda o mercado de compra de precatórios com deságio para quitação de dívidas com o Estado. “Isso é de uma imoralidade absurda”, disse. Questionado sobre o fortalecimento da advocacia dativa, o candidato defendeu revisão da tabela de honorários, condicionada a negociação orçamentária com o Judiciário, e maior transparência na distribuição de nomeações entre advogados cadastrados. “É possível, sim, rever a tabela e fortalecer esse serviço essencial. Os dativos acabam nos custando menos do que a implementação imediata de uma defensoria pública do tamanho necessário para cobrir essa demanda”, afirmou, defendendo a coexistência entre defensoria pública e advocacia dativa. Ensino jurídico Sobre a qualidade dos cursos de Direito no país, Requião Filho defendeu maior exigência mínima de currículo, corpo docente e estágios obrigatórios, com participação do Estado na oferta de vagas de estágio. “Temos que exigir o mínimo dessas universidades e faculdades: qualidade de currículo, de professores e estágios obrigatórios”, disse, criticando o modelo de ensino a distância para cursos como Direito, Medicina e Veterinária. “Sem essa interação, sem esse debate, sem esse contraponto, nós criamos alunos que passam em provas de escolha múltipla decorando ou com acesso a algum ChatGPT da vida”, afirmou, defendendo maior rigor também em concursos públicos para magistratura e demais carreiras jurídicas. Saúde e inteligência artificial Questionado sobre o uso de inteligência artificial na gestão da saúde e a garantia de supervisão humana em algoritmos de triagem, diagnóstico ou regulação de pacientes, Requião Filho defendeu que a tecnologia tenha papel de apoio, sem substituir o atendimento médico direto. “A anamnese de um médico jamais será substituída por um algoritmo. Ele pode ajudar, pode gerenciar internamentos e a distribuição de médicos e remédios de acordo com a necessidade regional, mas a sensibilidade de um médico jamais será substituída por um algoritmo artificial”, afirmou. O candidato defendeu ainda a regionalização do atendimento, com hospitais de referência e parceria entre municípios, Estado e governo federal. “É desumano tratar pessoas no seu momento mais delicado da vida colocando-as dentro de uma van, de um ônibus ou de uma ambulância, tirando-as de perto de casa”, disse. Educação inclusiva Sobre investimentos em educação inclusiva para atender alunos com deficiência e neuropergência na escola regular, Requião Filho reconheceu a falta de professores capacitados e de tutores nas redes estaduais. “Hoje temos um número enorme de alunos laudados dentro da sala de aula e professores sem o devido treinamento. O Estado hoje não consegue acolher essas crianças neuropergentes dentro de uma sala de aula comum”, afirmou, citando conflitos entre famílias, escolas e o Ministério Público sobre a inclusão de alunos específicos. Como proposta, defendeu iniciar um programa-modelo em escolas de referência. “Podemos começar um programa modelo em escolas referência no Paraná, com o treinamento de professores, pedagogos e de todos os educadores, porque não é só o professor em sala de aula que precisa saber atender isso”, disse. Direitos humanos e igualdade racial Questionado sobre medidas para enfrentar a violência racial e ampliar a presença de pessoas negras em cargos de direção no serviço público estadual, Requião Filho defendeu a educação pública de qualidade como principal instrumento de combate ao preconceito a médio e longo prazo. “Qualquer preconceito racial ou religioso advém da ignorância. O combate ao racismo e a qualquer tipo de preconceito, a médio e longo prazo, é educação de qualidade para as nossas crianças”, afirmou, criticando o modelo de escolas cívico-militares no Estado. A curto prazo, defendeu campanhas de informação e a manutenção de políticas de cotas raciais no serviço público, iniciadas no governo de Roberto Requião. “O primeiro estado a implementar cotas para negros no Brasil foi o Paraná, algo de que muito me orgulho. Temos que dar condições para que qualquer raça esteja dentro das universidades, do serviço público e dos lugares de decisão, e isso vem com qualidade de ensino e acesso à educação”, disse. Ao encerrar sua participação, Requião Filho criticou o que classificou como obras inacabadas e decisões de infraestrutura motivadas por interesse eleitoral. “Vejo obras pragmáticas eleitorais, obras que buscam trânsito de pessoas, não melhoria de vida. Uma obra de 10 milhões numa pequena cidade do Paraná pode revolucionar aquela cidade. Uma obra de 10 milhões em Curitiba dá muito mais voto”, afirmou. O candidato também questionou os resultados da educação estadual. “Primeiro lugar no Ideb, 20º lugar na redação. Quando aquele aluno da escola número 1 do Brasil senta sozinho para interpretar um texto e fazer uma premissa com começo, meio e fim, ele não consegue. Que advogado seria esse no futuro? Eu quero um Paraná real, que cuide de pessoas”, concluiu.
17/08/2026 (00:00)
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